Desde os sete anos, Elizabeth de Almeida percebeu uma diferença nos pés: um inchaço que deixava sua sandália preferida mais justa. Mas foi só aos 22 que ela recebeu o diagnóstico de linfedema, condição de acúmulo de líquido linfático que provoca inchaços e pode ser genética ou associada a outras doenças, como câncer.
A evolução da doença trouxe para operadora de telemarketing alterações além da aparência, mudando a rotina e a impedindo até de trabalhar. Agora, aos 30 anos, ela vai passar. nesta sexta-feira (5), por um procedimento cirúrgico inovador: o transplante de linfonodos, o primeiro realizado na Bahia.
Após a cirurgia ela já planeja realizar alguns sonhos:
“A minha expectativa após a cirurgia é a volta ao trabalho. Poder ter uma melhora aproximada de 40% ou mais, se Deus quiser, e voltar ao trabalho, voltar a estudar e quem sabe um dia, com o transplante, também poder usar um calçado, um tênis. É meu sonho”.
O neurocirurgião Leonardo Avelar explica que a técnica conhecida como supermicrocirurgia permite melhorar a qualidade de vida tratando a drenagem do líquido e diminuindo o inchaço. Apesar de não ter cura, o paciente pode melhorar o quadro em até 50%.
“É um transplante autólogo. O que quer dizer isso? A gente vai tirar linfonodo de uma região do próprio corpo da pessoa. Claro que não vai fazer nenhum mal tirar esse linfonodo, geralmente é do abdômen. Aí se retira da região doadora e depois transplanta para o membro acometido. E é aí que entra a técnica da supermicrocirurgia, porque você tem que ligar vaso com vaso para esse tecido ser viável”.
O diagnóstico de linfedema pode ser realizado em qualquer faixa etária, após realização do exame linfocintilografia, prescrito pelo médico. O transplante de linfonodo não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS).